Juiz autoriza transferência de mais presos do Rio ao PR
Por Evandro Fadel
Curitiba – Sob alegação de que há necessidade de “postura mais enérgica” por parte das autoridades, em razão dos atentados e atos de vandalismo verificados no Rio de Janeiro nos últimos dias, o juiz corregedor da Penitenciária Federal de Catanduvas (PR), Nivaldo Brunoni, autorizou a transferência de mais seis presos, atendendo pedido das autoridades cariocas. Com esses, serão 26 os transferidos desde a semana passada. Nesse período, outros 13 foram levados de Catanduvas para a Penitenciária Federal de Porto Velho.
A data da transferência, que será feita pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), com apoio das polícias Federal e Rodoviária Federal, não foi revelada, por questão de segurança. Mas, em razão da periculosidade de todos eles, Brunoni falou sobre a necessidade de urgência. Com a transferência dos novos presos, a penitenciária no Paraná deverá ficar com 165 presos, quando a capacidade é para 208. Os que chegam ficam em Regime Disciplinar Diferenciado.
Serão transferidos Emerson Ventapane da Silva, o Mão, Emerson Siqueira Rosa, o Neguinho, Marcos Vinícius da Silva, o Lambar, Ricardo Severo, o Faustão, Tássio Fernando Faustino, o Branquinho, e Elizeu Felício de Souza, o Zeu, condenado pela morte do jornalista Tim Lopes, em 2002. Ele foi preso no último domingo nas operações policiais no Conjunto de Favelas do Alemão.
A consolidação da ocupação policial nas favelas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro depende, segundo a própria polícia, de uma inspeção rigorosa em casas, becos, lajes e todo tipo de local que possa servir de esconderijo para armas, drogas e criminosos. A operação ‘pente-fino’, no entanto, acarreta um problema que põe em risco a boa relação que os agentes da lei tentam estabelecer com a população. O desgaste, em menos de uma semana, gerou 27 denúncias de abusos de policiais à Corregedoria Geral Unificada (CGU), que instalou um posto para atender moradores no 16º BPM (Olaria).
A mais grave até o momento é o caso da moradora L., de 32 anos, que acusa quatro policiais militares de agressão. Ela afirma ter sido estrangulada na tarde desta quarta-feira, durante a revista de um apartamento de seu pai, em um conjunto habitacional da favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão.
Um informante levou os policiais acusados, que estão lotados no 7º Batalhão da Polícia Militar (Alcântara), à residência do pai da vítima, o aposentado R., de 65 anos. O apartamento serviria de esconderijo de dinheiro e ouro do tráfico. A abordagem truculenta foi testemunhada pelos dois filhos da vítima, ambos menores, uma irmã, de 36 anos, e uma sobrinha, de 11.
“Eles vieram aqui só procurar ouro e dinheiro. Se eu tivesse, estaria morando aqui?”, indignou-se o aposentado. “São ladrões mesmo. Estão querendo achacar os moradores, levar o que não temos”, acusou.
No momento da inspeção, o aposentado não estava em casa. Ao chegar, pouco depois, R. encontrou armários revirados, roupas e objetos pessoais pelo chão, teto rebaixado do banheiro desmontado. O apartamento é um modesto quarto e sala, cujo único luxo é uma televisão LCD de 42 polegadas.
“Só porque tenho uma televisão boa lá na sala e uma casinha arrumada? Não posso ter nada? Eu trabalhei. Tudo aqui tem recibo. Não é nada roubado”, esbravejou, aos prantos.
Investigação – Os quatro policiais depuseram na 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), no Méier, na zona norte, e confirmaram que inspecionaram o apartamento do aposentado. Eles negaram, no entanto, ter cometido agressões. A Corregedoria considerou inconsistente a denúncia para decretar a prisão dos agentes, que foram liberados e vão continuar trabalhando normalmente. L. será encaminhada para um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).
Outros casos – A maior parte das queixas de moradores diz respeito a arrombamentos e danos a móveis, com gavetas e armários quebrados ou abertos a força. Segundo informa a Corregedoria, a orientação para os policiais é agir sempre tendo o morador ou um vizinho como testemunha. Caso a casa tenha sido arrombada, pertences são reunidos, listados em um documento e entregues a um responsável que more nas proximidades – o escolhido deve assinar um termo de recebimento.
Nem sempre, pelo que indicam as queixas, o procedimento é seguido. Uma das ocorrências registradas na localidade Alvorada é do pastor evangélico Carlos Alberto dos Santos. Segundo ele, depois da inspeção, ficarm abertas as portas e janelas do tempo, que ficou vulnerável a invasão. “Quem vai tomar conta dos instrumentos musicais que guardamos aqui? Minha casa, aqui ao lado, também foi arrombada”, reclamou.











