Tragédia das chuvas deixa ao menos 440 mortos no RJ

Tragédia das chuvas deixa ao menos 440 mortos no RJ

REUTERS

Por Sérgio Queiroz e Pedro Fonseca

TERESÓPOLIS/RIO DE JANEIRO (Reuters) – O número de mortos pelas chuvas que devastaram a região serrana do Rio de Janeiro chegou a ao menos 443 nesta quinta-feira e deve aumentar, pois equipes de resgate ainda não conseguiram chegar a algumas áreas atingidas por deslizamentos de terras.

As cidades mais afetadas pela chuva, que começou a cair na noite de terça-feira, são Nova Friburgo e Teresópolis, com 201 e 185 mortes confirmadas, respectivamente, de acordo com autoridades locais. Petrópolis teve 39 mortes, e a prefeitura de Sumidouro informou que ao menos 18 pessoas também morreram no município. O número de desabrigados e desalojados passa de 13.500 na região.

A presidente Dilma Rousseff, em sua primeira visita ao Estado desde que tomou posse em 1o de janeiro, sobrevoou as áreas afetadas nesta quinta e lamentou a situação enfrentada pelas vítimas — a maioria soterrada em casa por enormes deslizamentos de terras em consequência da enxurrada.

‘É de fato um momento muito dramático, as cenas são muito fortes, é visível o sofrimento das pessoas, e o risco é muito grande’, disse Dilma, em entrevista coletiva após sobrevoar as cidades afetadas.

De acordo com o governador Sérgio Cabral, que acompanhou Dilma no sobrevoo, há outras cidades em situação de risco no Estado e a tragédia pode ganhar proporções maiores.

‘Temos outras cidades com problemas e a previsão pluviométrica não é tranquilizadora’, disse. ‘Há áreas ainda onde há risco de desabamento e de queda de barreiras’.

Uma autoridade municipal de Teresópolis, que pediu anonimato, informou que um bairro inteiro da cidade foi soterrado pelo deslizamento de lama e pedras de uma encosta em consequência das fortes chuvas.

Algumas pessoas que conseguiram se refugiar num campo de futebol foram resgatadas por helicóptero, mas a prefeitura acredita que cerca de 150 casas no bairro de Campo Grande ficaram debaixo de terra.

‘Pelo número de casas que havia lá, a estimativa de pessoas desaparecidas é grande. Podem ser até 300 pessoas. Agora não há nem condições de mexer lá, deve ter 3 metros de terra. Primeiro precisamos resgatar as pessoas que estão vivas’, disse à Reuters a funcionária da prefeitura.

O prefeito da cidade, Jorge Mário, considerou a situação como ‘caótica e calamitosa’. Segundo ele, três bairros foram varridos pela enxurrada. ‘O número de mortos vai aumentar muito. Há muita gente soterrada e sem socorro porque as equipes de resgate não conseguem chegar’, disse a jornalistas.

DESTRUIÇÃO

A cena de devastação era constatada em todos os pontos da cidade de Teresópolis. Um trecho da avenida principal, em frente à delegacia, foi fechado e dezenas de corpos foram estendidos na calçada aguardando identificação.

‘Os corpos estavam lá, porque no necrotério não havia mais espaço’, contou por telefone à Reuters o morador e motorista de táxi Vinícius Bittencourt. Segundo ele, uma igreja passou a ser usada para abrigar os mortos.

Um cinegrafista da Reuters viu quatro corpos em um condomínio de casas de luxo destruído no bairro da Posse, próximo a Campo Grande e também um dos mais atingidos.

Sem ter para onde ir, muitos sobreviventes andavam pelas ruas atrás de abrigo ou se refugiaram e casas de familiares ou locais disponibilizados pelas prefeituras.

‘Houve um estrondo e a metade do meu barraco caiu. Tentei ir pra casa do vizinho, aí deu um estrondo no morro, eu fiquei apavorado, e quando vi a barreira me pegou e me jogou a 15 metros de distância, e ainda caiu uma árvore em cima de mim’, disse à Reuters TV o aposentado Dejair Rosa da Rocha, 76 anos.

Além das dificuldades de acesso a áreas atingidas, as chuvas também afetaram as linhas telefônicas e a rede de energia elétrica em toda a região. Nesta quinta, o tempo seguia instável, ainda com chuvas.

Na quarta-feira Dilma assinou medida provisória liberando 780 milhões de reais para a reconstrução das cidades atingidas. Além disso, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou nesta quinta que será autorizado o saque de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pelos afetados.

OCUPAÇÃO IRREGULAR

Cabral criticou ‘décadas de permissividade’ com a ocupação de áreas irregulares e disse que, pela Constituição de 1988, o solo urbano é de responsabilidade das prefeituras.

‘Há um conceito de décadas de permissividade de ocupação de encostas, se houvesse um padrão rígido de ocupação, teríamos vítimas sim, porque o volume de chuva foi acima do normal, mas não podemos chegar a quase 500 mortos’, disse o governador em entrevista à rádio CBN.

O Ministério da Justiça anunciou que enviará 210 homens da Força Nacional de Segurança Pública para a região afetada, entre policiais militares, bombeiros e peritos que ajudarão na identificação dos corpos.

As cidades atingidas devem voltar a enfrentar pancadas de chuva nos próximos dias, segundo previsão do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe), órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, choveu entre terça e quarta-feira na região serrana do Rio o equivalente ao previsto para um mês inteiro.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro, e Eduardo Simões, em São Paulo)Tragédia das chuvas deixa ao menos 440 mortos no RJ

Tragédia das chuvas deixa ao menos 440 mortos no RJ

REUTERS

Por Sérgio Queiroz e Pedro Fonseca

TERESÓPOLIS/RIO DE JANEIRO (Reuters) – O número de mortos pelas chuvas que devastaram a região serrana do Rio de Janeiro chegou a ao menos 443 nesta quinta-feira e deve aumentar, pois equipes de resgate ainda não conseguiram chegar a algumas áreas atingidas por deslizamentos de terras.

As cidades mais afetadas pela chuva, que começou a cair na noite de terça-feira, são Nova Friburgo e Teresópolis, com 201 e 185 mortes confirmadas, respectivamente, de acordo com autoridades locais. Petrópolis teve 39 mortes, e a prefeitura de Sumidouro informou que ao menos 18 pessoas também morreram no município. O número de desabrigados e desalojados passa de 13.500 na região.

A presidente Dilma Rousseff, em sua primeira visita ao Estado desde que tomou posse em 1o de janeiro, sobrevoou as áreas afetadas nesta quinta e lamentou a situação enfrentada pelas vítimas — a maioria soterrada em casa por enormes deslizamentos de terras em consequência da enxurrada.

‘É de fato um momento muito dramático, as cenas são muito fortes, é visível o sofrimento das pessoas, e o risco é muito grande’, disse Dilma, em entrevista coletiva após sobrevoar as cidades afetadas.

De acordo com o governador Sérgio Cabral, que acompanhou Dilma no sobrevoo, há outras cidades em situação de risco no Estado e a tragédia pode ganhar proporções maiores.

‘Temos outras cidades com problemas e a previsão pluviométrica não é tranquilizadora’, disse. ‘Há áreas ainda onde há risco de desabamento e de queda de barreiras’.

Uma autoridade municipal de Teresópolis, que pediu anonimato, informou que um bairro inteiro da cidade foi soterrado pelo deslizamento de lama e pedras de uma encosta em consequência das fortes chuvas.

Algumas pessoas que conseguiram se refugiar num campo de futebol foram resgatadas por helicóptero, mas a prefeitura acredita que cerca de 150 casas no bairro de Campo Grande ficaram debaixo de terra.

‘Pelo número de casas que havia lá, a estimativa de pessoas desaparecidas é grande. Podem ser até 300 pessoas. Agora não há nem condições de mexer lá, deve ter 3 metros de terra. Primeiro precisamos resgatar as pessoas que estão vivas’, disse à Reuters a funcionária da prefeitura.

O prefeito da cidade, Jorge Mário, considerou a situação como ‘caótica e calamitosa’. Segundo ele, três bairros foram varridos pela enxurrada. ‘O número de mortos vai aumentar muito. Há muita gente soterrada e sem socorro porque as equipes de resgate não conseguem chegar’, disse a jornalistas.

DESTRUIÇÃO

A cena de devastação era constatada em todos os pontos da cidade de Teresópolis. Um trecho da avenida principal, em frente à delegacia, foi fechado e dezenas de corpos foram estendidos na calçada aguardando identificação.

‘Os corpos estavam lá, porque no necrotério não havia mais espaço’, contou por telefone à Reuters o morador e motorista de táxi Vinícius Bittencourt. Segundo ele, uma igreja passou a ser usada para abrigar os mortos.

Um cinegrafista da Reuters viu quatro corpos em um condomínio de casas de luxo destruído no bairro da Posse, próximo a Campo Grande e também um dos mais atingidos.

Sem ter para onde ir, muitos sobreviventes andavam pelas ruas atrás de abrigo ou se refugiaram e casas de familiares ou locais disponibilizados pelas prefeituras.

‘Houve um estrondo e a metade do meu barraco caiu. Tentei ir pra casa do vizinho, aí deu um estrondo no morro, eu fiquei apavorado, e quando vi a barreira me pegou e me jogou a 15 metros de distância, e ainda caiu uma árvore em cima de mim’, disse à Reuters TV o aposentado Dejair Rosa da Rocha, 76 anos.

Além das dificuldades de acesso a áreas atingidas, as chuvas também afetaram as linhas telefônicas e a rede de energia elétrica em toda a região. Nesta quinta, o tempo seguia instável, ainda com chuvas.

Na quarta-feira Dilma assinou medida provisória liberando 780 milhões de reais para a reconstrução das cidades atingidas. Além disso, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou nesta quinta que será autorizado o saque de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pelos afetados.

OCUPAÇÃO IRREGULAR

Cabral criticou ‘décadas de permissividade’ com a ocupação de áreas irregulares e disse que, pela Constituição de 1988, o solo urbano é de responsabilidade das prefeituras.

‘Há um conceito de décadas de permissividade de ocupação de encostas, se houvesse um padrão rígido de ocupação, teríamos vítimas sim, porque o volume de chuva foi acima do normal, mas não podemos chegar a quase 500 mortos’, disse o governador em entrevista à rádio CBN.

O Ministério da Justiça anunciou que enviará 210 homens da Força Nacional de Segurança Pública para a região afetada, entre policiais militares, bombeiros e peritos que ajudarão na identificação dos corpos.

As cidades atingidas devem voltar a enfrentar pancadas de chuva nos próximos dias, segundo previsão do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe), órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, choveu entre terça e quarta-feira na região serrana do Rio o equivalente ao previsto para um mês inteiro.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro, e Eduardo Simões, em São Paulo)

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