Advogado e tio da vítima denuncia que faltou segurança para Loane Thé.
Para delegado Celso Rocha, Loane Thé foi apunhalada de forma inesperada.
Para o advogado houve negligência nos procedimentos policiais.
“Primeiro ela não poderia colher depoimento. Isso é uma atribuição
exclusiva do delegado do distrito. Para ela, como escrivã, caberia
apenas acompanhar o delegado durante o procedimento e coletar as
informações para colocá-las em forma de documento”, disse Nazareno.
O advogado aponta ainda falhas pelo fato do suspeito não ter sido
revistado antes de entrar na sala para prestar depoimento. “Ele foi
intimado e compareceu a Delegacia da Mulher de Caxias para prestar
esclarecimentos sobre a acusação do crime de estupro contra duas filhas.
Uma pessoa dessa deveria ser tratada com cautela e o delegado deveria
estar presente para comandar o depoimento, assim como outro agente
deveria revistá-lo na porta de entrada da delegacia”, afirmou.

Advogado e tio da vítima diz que vai processar
o Governo do Maranhão (Foto: Gil Oliveira/ G1 PI)
Nazareno Thé também revelou que vai trabalhar como advogado de acusação
do suspeito. “Contra ele não queremos uma vingança pessoal, apenas
buscaremos uma punição exemplar para que passe um bom tempo na cadeia
refletindo sobre as coisas ruins que fez. Pediremos uma punição pelos
dois crimes, o homicídio duplamente qualificado com requintes de
crueldade, já que ele desferiu um golpe no pescoço e no coração dela, e
deve responder também pela tentativa de homicídio contra a outra
investigadora que foi ferida durante a fuga dele da delegacia”, contou.
Delegado regional de Caxias, Celso Álvares
Rocha (Foto: Reprodução/TV Clube)
O delegado regional de Caxias, Celso Álvares Rocha, confirmou que no
momento do crime a escrivã estava sozinha com o suspeito e que é comum
um agente colher depoimento, apesar do procedimento não estar correto.
“A delegada e o policial de plantão estavam no prédio, enquanto a
escrivã conversava com o suspeito em uma sala separada. Essa é uma prática casual em muitas delegacias, às vezes um depoimento é colhido sem a presença do delegado”, afirmou Celso.
Sobre o fato do suspeito não ter sido revistado antes de entrar na sala
com a escrivã, o delegado destacou ser inconstitucional abordar uma
pessoa que foi apenas intimada a prestar depoimento e compareceu por
conta própria a delegacia. “Ele não tinha passagens pela polícia e nós
não temos essa prática de revistar pessoas intimadas”, revelou o
delegado.
ser preso (Foto: Reprodução/TV Clube)
Ainda de acordo com Celso Rocha, Francisco Alves da Costa confessou o
crime e disse que golpeou a escrivã de surpresa por medo de ser preso.
“Ele contou que ela não fez nada para provocá-lo e estava apenas
começando a fazer as perguntas e ficou com medo de ser preso. É comum em
cidades do interior e nas comunidades da região as pessoas andarem com
um canivete ou faca”, relatou Celso.
Depois de preso, o suspeito foi levado para a Central de Custódia de
Caxias, onde está à disposição da Justiça. O inquérito que vai apurar o
crime já está instaurado pelo delegado e algumas pessoas envolvidas
foram ouvidas. “Já temos alguns depoimentos, inclusive do acusado, e
vamos ouvir ainda hoje a policial ferida no momento que ele saía da
delegacia. Ela estava internada, mas já recebeu alta médica. A delegada
do distrito e as outras testemunhas serão ouvidas a partir da
segunda-feira (19)”, disse o delegado.
Em nota, o superintendente de Polícia Civil do interior do estado do
Maranhão, Jair Lima de Paiva Júnior, disse que todos os procedimentos
administrativos já foram tomados para investiga se houve falha de
conduta de servidores dentro da Delegacia da Mulher em Caxias.
Jair Lima informou também que todos os policiais civis são submetidos a
treinamento e preparados para determinadas situações. Ainda de acordo
com a nota, a Corregedoria Geral de Segurança Pública do Maranhão vai
acompanhar as investigações.









