Restos mortais de Epaminondas Gomes Oliveira serão sepultados em Porto Franco dia 31

Depois de longo trabalho de investigação sobre o que aconteceu com o líder camponês Epaminondas Gomes de Oliveira, morto sob custódia do Exército em 20 de agosto de 1971, aos 68 anos, os restos mortais do comunista, serão sepultados no Cemitério Público de Porto Franco, com data marcada para o próximo dia 31 de agosto.
A Comissão Nacional da Verdade (CNV) chega ao Maranhão neste sábado (30) para apresentar, no domingo (31), em Porto Franco, o resultado da análise pericial de restos mortais sepultados no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, no dia 21 de agosto de 1971.
CNV apresentará relatório preliminar de pesquisa sobre o caso Epaminondas e a Operação Mesopotâmia.
A apresentação será a partir das 14h na Loja Maçônica Tiradentes, localizada na rua Teixeira de Freitas, Centro. Epaminondas foi preso em um garimpo paraense, no dia 9 de agosto de 1971, durante a Operação Mesopotâmia.
A ação policial foi realizada para prender lideranças políticas da oposição na Região do Bico do Papagaio, divisa entre os Estados do Pará, Tocantins, então Goiás, e o Maranhão, com o objetivo de tentar detectar focos guerrilheiros na região.
Segundo depoimentos colhidos pela CNV no Maranhão, após ter sido torturado em Porto Franco, onde vivia, e Imperatriz, Epaminondas foi levado a Brasília, onde permaneceu preso e morreu, no dia 20 de agosto de 1971, aos 68 anos, sob a custódia do Exército, no antigo Hospital de Guarnição de Brasília, atual Hospital Militar de Área de Brasília.
Ao todo, a CNV colheu 41 depoimentos, 27 deles no Maranhão, sobre o caso Epaminondas e a Operação Mesopotâmia. Também foram colhidos testemunhos em Brasília e no Tocantins.
Não há informações que comprovem a participação de Epaminondas e de outros militantes comunistas de Porto Franco (MA) e da vizinha Tocantinópolis (TO) com a guerrilha.
A única ligação é que, em virtude da militância, Epaminondas e seu grupo teriam intermediado com o Partido Comunista a instalação em Porto Franco do médico João Carlos Haas Sobrinho, desaparecido na Guerrilha do Araguaia, que antes de engajar-se na luta armada viveu 20 meses na cidade, onde atuou como cirurgião.
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